LAGOA DE ESTRELAS
Alex Brondani

Na solidão noturna da coxilha, dorme a lagoa
Inundada de estrelas bailarinas celestes
Envolta em brumas e ninada por grilos...
Recanto de vida que reluz como espelho
Os segredos que guardo no fundo da alma
que sei, conhece como ninguém.

Os beirais florescidos rodeados de juncos
Transportam os meus sonhos pros meus tempos de guri
Quando nas praias rasas, com minhas linhas, esperava
A lua cheia se banhar nas tuas águas
A mesma lua que me trouxe até aqui.

Quantas noites em tuas margens fiz meus planos
De fisgar traíra grande, como grande sempre fostes
Pedaço de céu no campo, lagoa de estrelas,
Pedaço de mim também.
Traíra velha lagoa, quantas lembranças
Em tuas ondas pequenas, quantas imagens...
Por elas retorno, velha bruxa, o tempo passou
Já não sou mais guri, e tu sabes
Mas não sei o que devo pra ti.

Tu sempre fostes parceira - espelho de minha alma -
E no silêncio das tuas águas em calmaria contei
Uma a uma as estrelas extraviadas no infinito.

Um mugido se perde ao longe no roncar dos sapos,
Saudades dela lagoa, há lamentos no ar
De dor e de esperanças, pois tu sabes
Que nos luares me extraviei dos teus caminhos
Por ela - estrela sereia - que me encantei lagoa velha,
Das loncas fiz meus tentos e me perdi no firmamento.

E gauderiei, velha parceira, e gauderiei...
Mas nunca mais a encontrei.
Hoje, hoje rondo o teu sono, velha amiga
E ao te rondar, recuerdos então me vêm
Lembro dos sonhos de estrelas
E daquela que eu sempre amei!

Galpão da Poesia Crioula - Santa Maria/RS
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