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MATEANDO SÓ
(Alex Brondani)
A neblina que
amanheceu o dia cruzou a tarde
O sol não
deu as caras hoje,
Escondeu-se atrás
das nuvens que baixaram pra terra,
Deixando o umbu da
coxilha de galhos caídos
A pensar que ainda
era noite.
Solito como o umbu do campo
Observo a noite que
chega
Emoldurado na própria
paisagem.
O sol não
deu as caras hoje,
Mas eu sei que o dia
nasceu e morreu,
E que foi a lua, e
que foi ela a causa da ausência do sol.
Mateio só,
inquieto, feito um bicho de macega que se remexe nervoso,
Desconfiado do
silêncio da tarde que morre aos pouquitos,
Da própria razão
da espera;
É fria a noite que
chega, fria e feia, escura feito um breu,
Até o firmamento
despencou lá de riba,
Afundando nas águas
da lagoa
Onde um coral de
cantos faz tremer a solidão.
E eu solito,
observando...
Sentindo os sentidos
dilatarem meu peito
Como se um toque de
viola vibrasse fundo em meus nervos!
De lá do alto, em
sua imponência, o umbu me observa
E, que estranho, me
sinto notado, quase que vigiado!
Como se fosse a
tropa e não o posteiro!
Mateio.
Que o amargo
adoça as mágoas e afoga os anseios.
O foguito
se faz fogo; a lenha verde, braseiro,
E a noite que chegou
mansa aos poucos se faz de ronda
cobrindo um quarto de céu.
E no silêncio do
campo os segredos da noite,
Nas agruras do mate
cevado ao relento
Minhas ânsias de moço
coiceando em meu peito,
Roubando os mistérios
que me inquietam a alma
Cansada de estradas,
carente de amores.
Onde andará a lua
agora,
As estrelas
afundaram na lagoa, mas, e a lua?
Bombeio as nuvens em
sua procura - em vão -
No céu campeiro nem
um rastro de lume
Somente léguas de
infinito e as barras da escuridão.
O braseiro aos
poucos vai findando em fogo brando,
Atiço as brasas e
as labaredas saltam,
clareando as vistas
do meu olhar perdido
Que vaga nas
fronteiras de um recuerdo,
Lembrando histórias
que ainda nem vivi!
Ah! sorte maula! A
noite é mui quieta
Para penas que tenho
guardadas em mim,
E me falta a coragem
de ir lá no fundo
E arrancá-las pra fora!
A tropa descansa
fingindo o seu sono,
mas sei que vigia!
Nas garras do escuro
se perde um mugido.
E o tempo em ciranda
vai enchendo os meus mates,
Vai cevando a minha
alma,
E eu, mateando só.
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