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Lá vem o tropeiro
Tropel na estrada
Da rica mulada
Que traz o cargueiro.
Vem pelo entreveiro
De mato e picada
Fazendo a tropeada
Que ofício mais duro
Não vê o futuro
Somente o passado
De estado e em estado
Sem porto seguro.
Vai pelas andanças
De estrada e pó
Mas nunca anda só
Pelas vizinhanças
Lhe seguem crianças
Os cães e o gado.
Destino mapeado
De sonhos de prendas
Por chitas e rendas
Em bailes campeiros
E às vezes potreiros
De alguma fazenda.
Já foi-se no tempo
Das lidas de outrora
Calçado de esporas
E poncho ao vento
Dormindo ao relento
Acordando na aurora
Pelo campo afora
E noite adentro
Pisar lamacento
Nas chuvas de maio
No lombo do baio
Num triste lamento.
O baio crioulo
De pêlo encerado
Vai bem encilhado
É mais um consolo.
No chão de tijolo
De trote picado
Vem bem entonado
Fazendo o percurso
Batizaram de "Urso"
Parceiro da vida
Instrumento da lida
Ação e recurso.
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Por todos os dias
Se vai o tropeiro
Caminho – carreiro
Tem suas manias
Na lenta agonia
De um mundo inteiro
Segue o roteiro
Do seu troperear
O sonho a embalar
A velha ambição
De um dia então
Não ir - nem voltar.
Os guri e a china
Deixou na tapera
Na longa espera
Mas que triste sina!
Já nem mais atina
Quantas primaveras
O tempo tempera
No lombo do clima
Seguindo a rima
Por quem lhe venera
Se é homem ou fera
Na amarga vindima.
Me igualo ao tropeiro
Nos tempos de agora
Também vou embora
Buscando dinheiro
No ofício campeiro
De vir e voltar,
Pois sei que "chegar"
Pra que tem onde ir
Vou admitir
Só neste contexto
Que é mais um pretexto
Pra gente partir...
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