5ª Carreteada da Canção e Poesia Nativa

 

ONDE SE ABRIGAM OS SONHOS
Autor: Carlos Aurélio Weber
Intérprete: Carlos Weber



No exílio das varandas,
Onde mateio horizontes,
A alma se entrega aos sonhos
Que se vão em revoadas,
Levando em asas serenas
- na amplitude das retinas -
Uma visão cristalina
Impregnada de poentes,
Que traz de volta pra gente
Silêncio em preces de paz.

Os sonhos são peregrinos
- andorinhas veraneiras -
Que vão e voltam, viageiras,
Deixando pra traz seus ninhos,
Pra campear novos caminhos
E a paz das amenidades,
Num lugar onde a saudade
Seja feita de ternura.

Quem ama uma criatura
E dela se faz distante,
Sabe que amar é o bastante
Pra saudade ser doçura.
Um sonho pela metade
É uma noite sem estrelas,
Quando a tristeza se agranda
Na alma da escuridão
E se veste de razão
Pra questionar o destino.

Nas garras dos desatinos
Se apequena o coração.
Quem sonha golpeia o tempo
E a cisma de envelhecer.
Faz de cada entardecer
Prelúdio pra um novo dia,
No lirismo da poesia
Das ternas manhãs serenas,
Para tornar mais amenas
Estas auroras da vida.

Quem traz na rédea um destino
E na alma um desafio,
É igual às águas de um rio,
Que jamais muda seu rumo.
Quem luta por seus aprumos,
Entre um sonho e uma estrada,
Traz na visão encravada
O que sonhou pra consumo.

Nas alamedas da alma
Cantam sabiás seresteiros,
Cantadores madrugueiros
Que anunciam primaveras.
Mas calam quando as taperas
Da aridez dos outonos
Trazem silêncios de abandonos
Na solidão das esperas.
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