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PRA QUANDO EU ME TORNAR VERSO...
Diego Alessandro Klemtz


Um dia nessas campanhas
- Por certo há de chegar -
Deixo alguém no meu lugar
Pra completar minhas façanhas
E essa alegria me acanha
Ao ver em seu ventre xirua
A raça do índio charrua
Que escaramuça em delongas
Pra compor mais uma milonga
Debaixo de um quarto de lua

Pra quando eu me tornar verso
Um dia nessas campanhas
Quem sabe serei canção
Que clama do coração
Dos mais nobres índios campeiros,
Por certo não o primeiro,
Apenas terei minha vez,
Pra ter assim, talvez
Do meu jeito a minha sorte
Ser cantado de sul a norte,
Pra descansar em tua tez...

Quero ser um verso alegre
Pra trazer pra essa gente
Lembranças sempre contentes
De um tempo que venere
Talvez um verso que impere
Por várzeas de campo aberto
Um tarumã no descoberto
Um rancho num fim de mundo
Um amor por um segundo
E ter minha prenda por perto

A alma do payador não vai morrer
O corpo desse mundo some
Mas quero saciar minha fome
E a outras bocas socorrer
Se um verso pronto trazer
Na mesa da fartura o pão
Que se esbanje em meu galpão
Esse alimento que é sagrado
E na comunhão é consagrado
Pra me fortalecer o coração

Quero ser o catre e os pelegos
De um rancho recém casado
Pra sentir o que ali é figurado
Numa noite de aconchego
As carícias e os medos
De um casal em euforia
Cruzam muitos e muitos dias
Mas não se perde a esperança
E nasce então a criança
Pra mas um verso que inicia

Quero na garganta do índio
Abrir um sapucai de guerra
Saudar a defesa dessa terra
Ou simplesmente me impor
Na manhanita do corredor
Afinado no canto do carijó
Ou, se Deus de mim tiver dó
Me venho no verso do payador

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Galpão da Poesia Crioula - Santa Maria/RS
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