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QUANDO EU MORRER DE NOVO

Autor: Tulio Souza

Declamador: Pedro Junior da Fontoura

Amadrinhador: Piero Ereno

 

Quando eu morrer de novo

Avisarei aos amigos com antecedência,

Pois vou querer a maior festa que um defunto já fez!

Não quero saber de outro velório tristonho,

Vai ser um funeral de quem já tem experiência,

Terei a vivência de já ter morrido uma vez!!!

 

Quando eu morrer de novo

Vou partir sem arrependimentos,

Sem sentimentos de culpa,

Principalmente pelas coisas que não realizei.

Terei amado sem rejeição;

Terei dito mil "SIMs" para cada "NÃO";

Terei pedido perdão mesmo sem ser culpado;

Terei errado sem receios;

Terei sido quase inconseqüente;

Não terei pensado no fim, só nos meios!

 

Quando eu morrer de novo

Deixarei um testamento simples:

"Meus poemas devem ser entregues

Aos que acharem algum sentido nas linhas tortas.

(as poesias - diferente de mim - não estarão mortas!)

Aos outros, que tenham sorte na empreitada,

Pois de mim não restará mais nada!!!"

 

Quando eu morrer de novo

Já terei alguma cancha no "céu" (ou no inferno)",

Então vou quebrar algumas regras antigas,

Voltarei pra prosear com os amigos em vida

E recomendar:

Guardem no silêncio as palavras menos sinceras!

Não economizem beijos e abraços!

Andem descalços, brinquem muito, tentem VIVER!

E quando se forem também,

Levem uma lista das coisas

Que ainda estão por fazer!

 

Quando eu morrer de novo

Fundarei a verdadeira "Sociedade dos Poetas Mortos",

Com sede em algum rancho simples,

Onde possamos prosear, contar causos, declamar...

E, quem sabe, fazer poemas de "assombrar" o mundo!

 

Quando eu morrer de novo

Levarei a guitarra

Pra milonguear saudades,

Levarei os avios de mate,

Algumas mantas de charque

E um baralho de truco

Para os momentos à toa...

 

Quando eu morrer de novo

Terei avisado a quem fica:

"Não derrame lágrimas tristes por mim!

Faça assim, cada vez que a saudade apertar,

Feche os olhos e dê um sorriso.

Teu pensamento será tudo que preciso

Pra contigo eu poder estar."

Quando eu morrer de novo

Talvez terei encontrado

Respostas do meu agrado

Pra confirmar que a morte

É um período que passamos

Afastado da querência!

 

Quando eu morrer de novo

Terei a certeza no início

E no final... reticências...

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Galpão da Poesia Crioula - Santa Maria/RS
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