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RAÍZES
DO TEMPO ANTIGO
Lauro
Antonio Correa Simões
Alpargata
a meio-pé!
Costuradas
com arame de quinchar ranchos!
Um
chapéu de abas derruídas
-
num barbicacho de barbante - preso a nuca!
Na
bombacha de riscado e já puída
o
desenho dos cerzidos de outros pêlos!
Na
voz, as ressonâncias bem timbradas
de
quem conhece o mundo e leva a vida!
Todos
os dias, passos largos nas calçadas!
Uma
cesta de vime, já sebruna pelo tempo
e
um grito que soltava, qual "mandado":
-
óia o jujo!
- Hay arnica, marcela,
cancorosa!...
E,
desse jeito, negaceava alguma prosa
pra
aviar uma receita à moda antiga
com
os manojos que ofertava, bem atados!
Quase
sempre, nas janelas,
com
mate recém-cevado
os
velhos, vinham à rua
comprar
algum manojito
que
misturavam na erva...
que
anda de gosto esquisito!...
Pura
desculpa, essa a deles
pra
porem no mate-amargo
as
folhas medicinais
da
flora xucra do pago!
Sim!...
Há
uma aura de confiança,
nessa
figura tão rude!
-
Se confia o próprio filho
à
medicina campeira
de
mel, de um guaco, e do agrião...
que
ele colheu num açude!
Todos
lhe guardam confiança
e
a fé remove montanhas!
Por
isso, nos vilarejos
perdidos
pela campanha
ainda
se encontram jujeiros!
A
quase extinta figura
que
não faz muito, no tempo
miticavam
dores brabas
com
ervas e benzeduras!
Sim!...
Os
mais velhos continuavam
com
seus mates temperados
-
iguais aos pais de seus pais -
Como
um eterno legado!
Esses
humildes doutores na medicina campestre!
Homens,
vindos dos agrestes, junto ao clarear o dia!
Até
parece mentira, mais quantos...tantos e tantos
enxugaram
fartos prantos, nessa xucra homeopatia!
Sim!...
Ainda
que novo eu seja, acredito com firmeza
num
chazito de carqueja, depois de um churrasco gordo!
Quem
sabe, foi-me legada, essa confiança terrunha
que
eu mesmo sou testemunha, da força da natureza!
Talvez,
seja o misticismo - o que nem eu acredito -
Desses
homens, sem estampa...sem gravata e paletó,
infundirem
tão profundas a confiança e a certeza
Nesses
bens da natureza que nos vem desde os avós!
Sim!...
São
eles pelas ruas - de bombacha arremangada -
Com
seus gritos bem timbrados e as prosas porta a porta!
Com
suas cestas de vime - já sebrunas pelo tempo -
e
os xucros medicamentos no refrão que nos conforta:
-
óia o jujo!
- Hay arnica, marcela,
cancorosa!...
Vão
escasseando esses homens!
Inté
no povo, onde vivo
não
sobrou um pra remédio
das
dores brabas da gente!
Ninguém
é Deus, certamente,
mas
pra um homem campeiro
ajuda
grande esta fé
num
chá bem forte, caseiro!
Mil
gracias à ciência andeja,
Sempre
buscando caminhos!
A
humanidade precisa
e
nós, xirús campeiros
(vemos
o esforço pras curas)
mas
igual, uma carqueja
ao
menos lembra a figura
antes
do fim...dos jujeiros!
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