5ª Carreteada da Canção e Poesia Nativa

 

SONATA EM DÓ MAIOR PRA DOÑA INÊS
Autor: Vaine Darde
Intérprete: Pedro Junior da Fontoura



(I Movimento)


Das rosas que sonhaste em tua infância
plantadas no caderno de poesia,
infante coração, não concebias 
que delas colherias só lembranças...

Bordaste no enxoval das esperanças
as flores dum jardim que mal sabias
ser feito das mais frágeis fantasias
fadadas à intempérie das distâncias.

Assim, te debruçaste nas esperas
aflita pra viver as primaveras
que as rosas prometiam no caminho...

Apenas por inveja ou por maldade
a vida te mentiu felicidade
bordando a tua estrada com espinhos.

(
II Movimento)

Tu tanto te guardaste em seda e plumas
na casta tradição de vãs origens
pois, alva te entregaste doce e virgem
sonhando que era aurora o que era bruma.

As rosas feneceram, uma a uma,
o sonho não passou de ser vertigem,
e o sorriso sutil que ora te cinge
deixou-se desmaiar sem luz nenhuma.

Buscando uma edelweiss que não tiveras
partiste pra colher tuas quimeras
levada por fatal ilusionismo...

Eufórica, encoberta pelo véu...
Pensaste que ascendias para o céu
sem ver que mergulhavas num abismo.

(
III Movimento)

Foi tanto que te deste pelas rosas,
os sonhos no caderno de poemas,
que a vida para ti se fez extrema
ao longo da jornada desditosa.

Na vida mais se sofre do que goza,
não há felicidade sem dilema,
assim, a nossa graça mais suprema
é lá no fim do poço que repousa.

De todo sofrimento que passaste
cuidando das roseiras que plantaste
nos sonhos que o destino não te dera,

Por fim, Deus teve pena dos teus males:
no fundo desse abismo tinha um vale
repleto de rosais à tua espera...
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