|
|
SONATA EM DÓ
MAIOR PRA DOÑA INÊS
Autor: Vaine Darde
Intérprete: Pedro Junior da Fontoura
(I Movimento)
Das rosas que sonhaste em tua
infância
plantadas no caderno de poesia,
infante coração, não concebias
que delas colherias só
lembranças...
Bordaste no enxoval das
esperanças
as flores dum jardim que mal
sabias
ser feito das mais frágeis
fantasias
fadadas à intempérie das
distâncias.
Assim, te debruçaste nas
esperas
aflita pra viver as primaveras
que as rosas prometiam no
caminho...
Apenas por inveja ou por
maldade
a vida te mentiu felicidade
bordando a tua estrada com
espinhos.
(II
Movimento)
Tu tanto te guardaste em seda e
plumas
na casta tradição de vãs
origens
pois, alva te entregaste doce e
virgem
sonhando que era aurora o que
era bruma.
As rosas feneceram, uma a uma,
o sonho não passou de ser
vertigem,
e o sorriso sutil que ora te
cinge
deixou-se desmaiar sem luz
nenhuma.
Buscando uma edelweiss que não
tiveras
partiste pra colher tuas
quimeras
levada por fatal ilusionismo...
Eufórica, encoberta pelo véu...
Pensaste que ascendias para o
céu
sem ver que mergulhavas num
abismo.
(III
Movimento)
Foi tanto que te deste pelas
rosas,
os sonhos no caderno de poemas,
que a vida para ti se fez
extrema
ao longo da jornada desditosa.
Na vida mais se sofre do que
goza,
não há felicidade sem dilema,
assim, a nossa graça mais
suprema
é lá no fim do poço que
repousa.
De todo sofrimento que passaste
cuidando das roseiras que
plantaste
nos sonhos que o destino não te
dera,
Por fim, Deus teve pena dos
teus males:
no fundo desse abismo tinha um
vale
repleto de rosais à tua
espera...
. |