Com orgulho te exalto
Velha gaita do meu pago
Desde piazito que trago
Impregnado ao coração
Meu respeito e devoção
Por tuas notas afinadas
Encurtando as madrugadas
Nos fandangos de galpão
E não é qualquer vivente
Para ser um bom gaiteiro
No catecismo campeiro
Ele deve ser diplomado
Pra honrar ao ditado
Que pelo pago se expande
“Ser gaiteiro no Rio Grande
É o ofício mais sagrado”
A gaita tem o poder
De libertar sentimentos
E aprisionar os lamentos
Dessa vivência campeira
Da mais crioula maneira
Nas dobras do fole amaciado
Pra devolver transformado
Em algum xote ou vaneira
Tranqueando nos teus embalos
Eu já sovei muita china
E até alisei tanta crina
Aos resmungos da cordeona
Essa lendária chorona
Que com choro meio bruxo
Acalenta até o gaúcho
De alma mais redomona
Segue roncando cordeona
Carregando nas combapas
As inquietudes mais guapas
Que a juventude extraviou
E a esse taura o que restou
É buscar nos teus floreios
Todos aqueles anseios
Que a vida me negaciou.